Livro para o Mês de Outubro

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Outubro de 2007:
"Lolita" de Vladimir Nabokov
Em 1955, a “ousadia” concretiza-se e “Lolita” sai do prelo. E perante essa obra-prima — “Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade, meu pecado, minha alma”, assim começa o romance —, os leitores escavam trincheiras. De um lado, figuram aqueles que se deixam embalar na vertigem e no delírio de Humbert Humbert, oscilando entre a compaixão e o assombro; do outro, erguem-se o asco, a insistência em rotular o livro de pornográfico, a perseguição supostamente moralista daqueles que chamam a Nabokov, então com 56 anos, um “autor obsceno”. Ele, que escreveu, de forma magistral, a dor da infância perdida, a paixão proibida, a crueldade de amar e sentir esse amor como um pecado e um drama terrível, a tragédia que é a inexorabilidade do tempo. “Lolita” é uma confissão. A trágica confissão de um amor que aniquila, escrita por Humbert Humbert (H.H.) durante os seus dias de presídio, antes do julgamento por homicídio. Narrado na primeira pessoa, “Lolita” é um relato que leva, por vezes, o leitor a confrontar-se com enigmas — há momentos que envolvem dúvidas quanto à sua veracidade, situações que parecem derivadas da imaginação de H.H.
Escritor norte-americano de origem russa, nascido em 1899 e falecido em 1977, nascido numa família da antiga aristocracia, em 1919, a instabilidade produzida pela revolução bolchevique obrigou-o a abandonar a União Soviética. Exilou-se com a família na Inglaterra, França e Alemanha. Neste último país, escreveu, em russo, a primeira parte da sua obra literária, de entre a qual se destaca Mashenka e Glória.
Em 1940 partiu para os Estados Unidos da América, adquirindo a nacionalidade americana em 1945. Começou a escrever em inglês, mantendo, nas obras deste período, o fundo fantástico, a visão irónica da vida quotidiana e a mestria formal que já havia demonstrado, e almejou levar a cabo um retrato da sociedade norte-americana através das suas convenções culturais e posturas perante o sexo. São dignas de nota as narrativas: "O Dom", "Convite para uma decapitação", "The Real Life of Sebastian Knight", "Lolita", um grande êxito editorial transposto para o cinema por S. Kubrick e cujo argumento se baseia nos amores de um homem adulto por uma adolescente, "Pale Fir", "Ada, or Ardor: A Family Chronicle" e "Speak Memory".









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Agosto, 2008