Outubro 12, 2007

Livro para o Mês de Outubro



Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Outubro de 2007:

"Lolita" de Vladimir Nabokov

Nabokov tinha 56 anos quando recebeu, com "Lolita", a notoriedade há tanto merecida. Mas não foi poupado ao absurdo escândalo que envolveu a sua publicação. Em 1954, muitas décadas depois de ter abandonado, contra a sua vontade, a sua amada Rússia, Vladimir Nabokov (1899-1977), termina o manuscrito de “Lolita”. No país de exílio, os Estados Unidos, entrega cópias do romance a quatro editoras. Todas recusam — alegam escândalo, obscenidade, eventual processo criminal. Nabokov, embora tivesse feito muitas renúncias ao longo da sua vida, não desiste. Envia o livro para uma pequenina editora, Olímpia Press, em Paris, onde vivera até 1940, e o editor não recusa o romance.

Em 1955, a “ousadia” concretiza-se e “Lolita” sai do prelo. E perante essa obra-prima — “Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade, meu pecado, minha alma”, assim começa o romance —, os leitores escavam trincheiras. De um lado, figuram aqueles que se deixam embalar na vertigem e no delírio de Humbert Humbert, oscilando entre a compaixão e o assombro; do outro, erguem-se o asco, a insistência em rotular o livro de pornográfico, a perseguição supostamente moralista daqueles que chamam a Nabokov, então com 56 anos, um “autor obsceno”. Ele, que escreveu, de forma magistral, a dor da infância perdida, a paixão proibida, a crueldade de amar e sentir esse amor como um pecado e um drama terrível, a tragédia que é a inexorabilidade do tempo. “Lolita” é uma confissão. A trágica confissão de um amor que aniquila, escrita por Humbert Humbert (H.H.) durante os seus dias de presídio, antes do julgamento por homicídio. Narrado na primeira pessoa, “Lolita” é um relato que leva, por vezes, o leitor a confrontar-se com enigmas — há momentos que envolvem dúvidas quanto à sua veracidade, situações que parecem derivadas da imaginação de H.H.

Escritor norte-americano de origem russa, nascido em 1899 e falecido em 1977, nascido numa família da antiga aristocracia, em 1919, a instabilidade produzida pela revolução bolchevique obrigou-o a abandonar a União Soviética. Exilou-se com a família na Inglaterra, França e Alemanha. Neste último país, escreveu, em russo, a primeira parte da sua obra literária, de entre a qual se destaca Mashenka e Glória.

Em 1940 partiu para os Estados Unidos da América, adquirindo a nacionalidade americana em 1945. Começou a escrever em inglês, mantendo, nas obras deste período, o fundo fantástico, a visão irónica da vida quotidiana e a mestria formal que já havia demonstrado, e almejou levar a cabo um retrato da sociedade norte-americana através das suas convenções culturais e posturas perante o sexo. São dignas de nota as narrativas: "O Dom", "Convite para uma decapitação", "The Real Life of Sebastian Knight", "Lolita", um grande êxito editorial transposto para o cinema por S. Kubrick e cujo argumento se baseia nos amores de um homem adulto por uma adolescente, "Pale Fir", "Ada, or Ardor: A Family Chronicle" e "Speak Memory".
Escrito por Nunovsky em 10:01:08 | Link permanente | Comments (16) |

Setembro 04, 2007

Livro para o Mês de Setembro

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Setembro de 2007:

"O Amante" de Marguerite Duras

Um dia, eu já tinha uma certa idade, no hall de um prédio público, um homem veio até mim. Ele se apresentou e me disse: "Eu a conheço desde sempre. Todo mundo diz que a senhora era bonita quando jovem. Eu vim lhe dizer que, para mim, a senhora é mais bonita agora do que quando era jovem. Gosto menos de seu rosto de moça do que o de agora, devastado."

Assim começa O Amante, romance que valeu a Marguerite Duras em 1984, o prémio Goncourt - o mais célebre dos prémios literários franceses. O Amante conta a descoberta do amor e do sexo por uma adolescente, filha de uma família de colonos falidos na Indochina francesa, nos anos 30. O amor proibido da menina branca, sua entrega a um jovem chinês rico, dez anos mais velho do que ela, é também uma forma de escapar à claustrofobia e à derrocada da família, o seu "envelhecimento" precoce, a descoberta da sua solidão. É também a história da própria escritora.

Marguerite Duras nasceu em Gia Dinh, na Indochina (agora Vietnam), em 1914, onde passou a infância e a adolescência. A autora irá ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa, frequentemente referidas na sua obra literária. O seu pai morreu quando tinha quatro anos de idade, e a sua mãe, uma professora, lutou arduamente para criar três filhos sozinha. Durante a adolescência, Marguerite Duras teve um caso com um homem chinês rico e retorna mais tarde a este período nos seus livros (nomeadamente O Amante). Aos 17 anos viajou para França, onde estudou Direito e Ciência Política no Sorbonne, formando-se em 1935. Durante a II Guerra Mundial, marguerite Duras tomou parte da da Resistência Francesa, filiando-se também no partido comunista.

Duras publica os seu primeiros livros em 1943 e 1944, Os Imprudentes e A Vida Tranquila, respectivamente. A partir de 1959 começa também a escrever argumentos para o cinema, dos quais Hiroshima meu amor é sem dúvida o mais conhecido e marcante. Em 1950, com Uma barragem contra o Pacífico, Duras esteve muito próxima de ganhar o Prémio Goncourt. É no entanto apenas 30 anos depois que a injustiça lhe é reparada, ganhando o prémio por unanimidade com o romance O Amante. Durante a década de 1980, Marguerite Duras apaixona-se por Yann Andréa Steinner, um homem 38 anos mais novo. Duras viverá com Yann até à sua morte em 1996, mas não sem antes atravessar um duro período em que permaneceu junto do seu marido Robert Antelme, depois de este ter sobrevivido milagrosamente a uma captura pela Gestapo. Este período serviu de base para uma colecção de histórias curtas, intitulada A Dor (de 1985), um grito literário sobre a pressão debaixo da qual viveu. Morreu os 81 anos de idade de câncer e foi sepultada no cemitério de Montparnasse.

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Agosto 28, 2007

Livro para o Mês de Agosto

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Agosto de 2007:

"Murphy" de Samuel Beckett

“Murphy é uma obra-prima cómica sem qualquer contenção ou complexo. É por isso que é tão valioso e raro o trabalho de Beckett. Aqui se vê a facilidade com que Beckett escreve, faz rir, conta e se deixa ir. A história de um amante que pensa de mais ou de menos — ou vice-versa — é tão engraçada e está tão bem escrita e tão bem servida pela tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo que chego a ter medo que afaste os leitores dos livros menos abertos de Beckett. Mas depois lembro-me desses livros e o medo desaparece. Não são menos abertos nem menos cómicos. Sem Murphy não seria possível sabermos isso”.
Miguel Esteves Cardoso

Romancista e dramaturgo irlandês, Samuel Barclay Beckett nasceu a 13 de Abril de 1906 na cidade de Dublin. Oriundo de uma família protestante abastada, estudou na Portora Royal School antes de ingressar no Trinity College da sua terra natal. Após ter conseguido o bacharelato em Estudos Franceses e Italianos, no ano de 1927, Beckett começou a trabalhar como professor em Belfast. Mudando-se para Paris, passou a frequentar a pequena comunidade literária de expressão britânica que se reunia na famosa livraria Shakespeare and Company de Sylvia Beach, onde conheceu James Joyce.
Em 1930 Beckett estreou-se como poeta, ao publicar Whoroscope. No ano seguinte reuniu uma colectânea de ensaios com o título Proust (1931) e, de regresso a Dublin, licenciou-se pelo Trinity College, o que valeu uma posição como docente de Francês nessa mesma instituição. A morte do pai trouxe-lhe uma herança considerável, recebida em anuidades, facto preponderante na decisão de abandonar a carreira académica em 1932, com o firme propósito de se dedicar inteiramente à escrita.
Julgando Londres um meio mais propício a oportunidades, mudou-se para esta cidade em 1933. Imiscuindo-se na boémia londrina, publicou, no ano seguinte, o seu primeiro romance, More Pricks Than Kicks (1934). Seguiu-se um período difícil na sua vida, marcado por visitas regulares a um psicanalista, entre os anos de 1935 e 1936. Em 1938 foi apunhalado por um proxeneta e hospitalizado. Nesse mesmo ano de 1938 publicou Murphy, obra em que Beckett analisava o mundo da prostituição. Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, Samuel Beckett partiu da Irlanda para a França, para se juntar às fileiras da Resistência mas, procurado pelos Nacional-Socialistas, foi obrigado a fugir para o Sul do país, escondendo-se no Roussillon durante dois anos na companhia de uma estudante de piano, Suzanne Dechevaux-Dumesnil, com quem viria eventualmente a casar em 1961.
Trabalhando como lavrador, Beckett continuou a escrever, elaborando o manuscrito do seu segundo romance, que veio a ser publicado em 1953 com o título Watt.
Finda a guerra, Beckett passou a escrever em francês, publicando uma trilogia narrativa composta por Molloy (1951), Malone Meurt (1951) e L'Innommable (1953), e as suas peças de teatro mais famosas, En Attendant Godot (1952), Fin De Partie (1957) e Oh Les Beaux Jours (1961). Estas obras consagraram Beckett como um dos nomes mais proeminentes do teatro do absurdo, lidando com temas complexos e existencialistas como a desilusão, o sofrimento e o absurdo da condição humana.
O ano de 1959 marca o regresso do autor à língua materna, publicando Krapp's Last Tape, peça de teatro em que um velho se senta só num quarto a ouvir gravações do seu passado.
Beckett foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1969, e conta-se que terá utilizado a soma recebida pela Real Academia Sueca em auxílio de artistas necessitados.
Faleceu a 22 de Dezembro de 1989 após ter sido hospitalizado por problemas respiratórios.

Escrito por Nunovsky em 18:55:43 | Link permanente | Comments (0) |

Livro para o Mês de Julho

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Julho de 2007:

"À Espera no Centeio" de J.D. Salinger

250 mil americanos saem, todos os anos, de uma livraria, com um exemplar na mão; Mark David Chapman ao assassinar o mais famoso dos Beatles, John Lennon, tinha um exemplar no bolso; John Winckley tinha um na mesinha-de-cabeceira no dia em que disparou sobre Reagan; "The Catcher in the Rye" é um livro mítico, citado abundantemente no cinema e na literatura americana.

O livro conta a história de três dias na vida de um adolescente de 16 anos, Holden Caulfield, que acabou de ser expulso do seu colégio, Pencey, e decide fazer uma gazeta em Nova Iorque, a duas semanas do Natal. O romance é negro, cheio de surpresas e jargão, narrativa visual, na primeira pessoa, diálogo rápido, linguagem simples, ritmos interiores e oralidade muito inovadora na época da publicação, 1951.

A personagem principal é um jovem na idade do "armário". Holden é um adolescente chocado com a indiferença que o rodeia mas também dolorosamente deprimido pela sua incompreensão do mundo. The Catcher in the Rye joga com a alienação e a imaturidade. É uma tragédia com humor, sobre o que se passa na alma de um rapaz em mudança, incapaz de enfrentar o fim da inocência.

Nascido em 1919, Jerome David Salinger é um autor americano conhecido pela sua tendência à reclusão e pela ausência de publicações desde 1965. Criado em Manhattan, New York, Sallinger frequentou vários colégios onde começou a escrever contos, tem efectuado a sua primeira publicação em 1940. Em 1951, publicou "À espera no centeio", que permanece até à data como o seu único romance publicado. Posteriormente publicou mais 3 livros de contos.

O sucesso e a polémica resultante da publicação do livro levou a que se retirasse gradualmente da vida social e adoptasse uma postura de reclusão que permanece até à data. Embora não tenha publicado nada desde 1965, numa das raras entrevistas concedidas confirmou que continuava a escrever e que teria pelo menos mais dois romances completos.

Escrito por Nunovsky em 15:17:50 | Link permanente | Comments (1) |

Pausa nas Actividades do Clube

Para quem tem sido frequentador assíduo deste blog, certamente não terá passado despercebida a ausência de posts desde Junho.
Aproveitámos este período para fazer uma reflexão sobre o futuro do clube e optámos por retomar novamente as actividades até ao final do ano. Depois, logo se verá...
Para recuperar, começamos a publicar os posts referentes aos meses de Julho e Agosto para que não se perca o fio das leituras previstas e lançar duas fantásticas obras de reconhecidos autores como J.D. Salinger e Samuel Beckett.
Até à próxima e boas leituras!
Escrito por Nunovsky em 15:15:01 | Link permanente | Comments (1) |

Junho 12, 2007

Livro para o Mês de Junho

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o Mês de Junho de 2007:

"Madame Bovary" de Gustave Flaubert

Madame Bovary é um romance escrito por Gustave Flaubert que resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. Quando o livro foi lançado, houve em França um grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento.

Ele foi levado aos tribunais acusado de ofensa à moral e à religião, num processo contra o autor e também contra Laurent Pichat, diretor da revista Revue de Paris, em que a história foi publicada pela primeira vez, em episódios e com alguns pequenos cortes. A Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena absolveu Flaubert, mas o mesmo procedimento não foi adotado pelos críticos puritanos da época, que não perdoaram o autor pelo tratamento cru que ele tinha dado, no romance, ao tema do adultério, pela crítica ao clero e à burguesia: (Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração - tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens.).

É considerada por alguns autores como a primeira obra da literatura realista. "Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu), disse Gustave Flaubert (1821-1880), o criador deste que é por muitos considerado o ápice da narrativa longa do século XIX - o chamado século de ouro do romance. Flaubert, o esteta, aquele que buscava o mot juste (a palavra exata) e burilava os seus textos por anos a fio, imbuiu-se da consciência e da sensibilidade da sua personagem. Atingiu, com a irretocável prosa de Madame Bovary, um dos mais altos graus de penetração e análise psicológica da literatura universal.

Madame Bovary é uma obra capital na literatura do seu tempo, um daqueles livros que dão início a uma época literária. Tomando propositadamente um tema sem grandeza aparente, Flaubert quis obrigar o seu talento a enfrentar dificuldades técnicas que o levassem a vencer o romantismo exacerbado que o dominava. O resultado foi a obra-prima que o leitor tem em mãos e que Émile Zola descreveu da seguinte maneira: «Quando Madame Bovary apareceu, foi uma completa revolução literária. Teve-se a impressão de que a fórmula do romance moderno, esparsa pela obra colossal de Balzac, fora reduzida e claramente enunciada nas quatrocentas páginas de um único livro. Estava escrito o código da nova arte».

Flaubert nasce em Rouen em 1821, filho de um médico, e cresceu no hospital onde seu pai era cirugião-chefe. Após ter reprovado nos exames de direito na Universidade de Paris, começa em 1843 a escrever seus romances. Escreveu ainda Salammbô, uma reconstituição da civilização Cartaginense na época das guerras púnicas. Veio-lhe a idéia dessa obra, após sua visita às ruinas de Cartago em 1862.

Gustave Flaubert é também autor das obras: "A tentação de Sto. Antonio" (1874), "Educação Sentimental" (1869) e "Três Contos", entre outros. Em 1844, com epilepsia, se isola em um sitio pertecente à seu pai. Em 1856, após cinco anos de trabalho, publica "Madame Bovary", seu romance realista mais conhecido, no qual critica os valores românticos e burgueses da época.

Escrito por Nunovsky em 12:53:05 | Link permanente | Comments (0) |

Maio 05, 2007

Livro para o Mês de Maio

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Maio de 2007:

"Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago

"Ensaio sobre a Cegueira" aborda a emergência de uma inédita praga de uma repentina cegueira abatendo uma cidade não identificada, inexplicável e incurável. Tal "cegueira branca" — assim nomeada pois as pessoas infectadas percebem em seus olhos nada mais que uma superfície leitosa — manifesta-se primeiramente em um homem sentado no trânsito e, lentamente, se espalha pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos, pela obscuridade, a meros seres lutando por seus instintos. À medida que os afectados pela epidemia são colocados em quarentena, em condições desumanas, e os serviços estatais começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afectada pela doença que cega todos os outros.

O romance nos mostra o desmoronar completo da sociedade que, por causa da cegueira, perde tudo aquilo que considera como civilização e, (tal como em A Peste, de Albert Camus) mais que comentar as facetas básicas da natureza humana à medida que elas emergem numa crise de epidemia, Ensaio sobre a cegueira mostra a profunda humanidade dos que são obrigados a confiar uns nos outros quando os seus sentidos físicos os deixam.

José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas.

No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova". Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vive exclusivamente do seu trabalho literário.
 
Escritor polémico, tanto pelas posições públicas assumidas relativamente a determinados temas políticos, como também por um estilo de escrita em que constrói frases e parágrafos longos, em que a pontuação é utilizada de modo não convencional, o reconhecimento pela sua obra veio com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura de 1998. É autor de obras como "Memorial do Convento" 1982), "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (1991), "Todos os nomes" (1997), entre outros. Reside em Lanzarote, Espanha, com a sua companheira de longa data, onde continua a aumentar uma obra já de si extensa.
Escrito por Nunovsky em 23:21:50 | Link permanente | Comments (5) |

Abril 07, 2007

Livro para o Mês de Abril

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Abril de 2007:

"O Homem Invisível" de Ralph Ellison

Invisível para os brancos racistas, para os brancos emancipadores e para os próprios negros radicais, o protagonista desta obra deseja apenas ser como é. E não como realmente acontece, ou seja, um homem «invisível», já que realmente todos vêem o que o rodeia e não a ele próprio.
Homem Invisível revela a dor da existência do homem negro num mundo branco. É a história da viagem de um jovem negro pelos estados sulistas da América nos primeiros anos do século XX. Com o passar do tempo, entre experiências frequentemente contraditórias, o protagonista fica a conhecer o mundo dos negros, o mundo dos brancos e o seu próprio mundo. Trata-se, no fundo, de uma peregrinação excepcionalmente esclarecedora sobre questões fundamentais como a raça, a existência humana ou os ideais democráticos.

Primeiro romance de um autor então desconhecido, Homem Invisível provocou uma intensa polémica, aquando da sua publicação, em 1952. Hoje, é unanimemente considerado pela crítica uma obra-prima, talvez mesmo a melhor obra afro-americana de sempre. Foi distinguida com o importante National Book Award e consagrou Ralph Ellison como um dos autores mais marcantes do século XX. Está publicada em mais de vinte países.

Ralph Ellison nasceu em Oklahoma City,em 1913. Lewis Ellision, seu pai, deu-lhe o nome do famoso poeta e filósofo americano, Ralph Waldo Emerson, afirmando que estava "educando o seu filho para ser um poeta". Ellison perdeu o pai aos 3 anos, tendo sido criado pela mãe. Começou a tocar trompete no liceu, tendo conseguido uma bolsa para estudar música no Tuskegee Institute em Macon County, Alabama. Enquanto prosseguia os seus estudo em música, passava períodos cada vez mais prolongados na biblioteca, lendo os clássicos modernistas. Três anos depois, Ellison mudou-se para New York para juntar dinheiro para o ano de finalista, tendo posteriormente decidido enveredar pelas artes visuais, nomeadamente a escultura. Foi durante este período que começou a escrever alguns artigos e contos, balizado numa relação com o escritor Richard Wright. Para além de "O Homem Invisível", Ellison publicou um outro romance intitulado Juneteenth (1999), que estava previsto ser uma trilogia, tendo no entanto sido interrompida com a sua morte em 1994, devido a cancro no pâncreas. Foi escritor, músico, escultor, fotógrafo e professor, tendo publicado diversos contos e ensaios, o que o constituiu como uma das vozes mais marcantes da cultura afro-americana da 2ª metade do Séc. XX. 

Escrito por Nunovsky em 18:41:07 | Link permanente | Comments (5) |

Março 10, 2007

Livro para o Mês de Março

Apresentamos o livro do Clube de Leitura para o mês de Março de 2007:

"A Invenção de Morel" de Adolfo Bioy Casares.

A invenção de Morel foi publicado originalmente em 1940. Narrado em primeira pessoa por um fugitivo da justiça, como um diário deixado ao futuro, conta a história de sua busca por esconderijo e salvação numa ilha deserta. Esta já fora habitada, tinha algumas construções abandonadas e era considerada foco de uma enfermidade terrível, que "matava de fora para dentro". Lá encontra máquinas misteriosas e um grupo de turistas, que se diverte sem tomar conhecimento de sua presença. O refugiado apaixona-se por uma das mulheres do grupo e então descobre Morel, inventor de uma máquina de imagens que reproduz realidades passadas.E aqui começa o mistério, a alternância entre alucinação e realidade. A Invenção de Morel é um romance fantástico e um romance de aventuras, mas também uma reflexão em torno das fronteiras da realidade, em torno do amor e da imortalidade.

Adolfo Bioy Casares (1914-1999) é um dos escritores argentinos mais importantes do Século XX.
Foi galardoado com inúmeros prémios nacionais e internacionais, dos quais se podem destacar o Premio Municipal de Literatura de la Ciudad de Buenos Aires (1940), Premio Mondello (Itália, 1984), Premio Cervantes (1990), Premio Consagración Nacional (pelo conjunto da sua obra, 1992), para além dos inúmeros Doutoramentos honoris causa que foi recebendo um pouco por todo o mundo.
A sua obra literária, traduzida em mais de vinte idiomas, de incontestável importância e reconhecimento mundial, conta com romances como Plan de evasión, La trama celeste, Diario de la guerra del cerdo, La invención de Morel, El heróe de las mujeres ou Una muñeca rusa entre muitos outros.

Escrito por Nunovsky em 16:46:10 | Link permanente | Comments (1) |

Fevereiro 04, 2007

Livro para o Mês de Fevereiro

Apresentamos o livro para o mês de Fevereiro de 2007:

"Jakob Von Guten" de Robert Walser

Jakob von Gunten é o terceiro romance de Robert Walser, o seu preferido e o mais inovador. Foi escrito em 1909, em Berlim, três anos depois de o autor deixar o instituto onde foi educado. O protagonista principal do livro é o Instituto Benjamenta, onde se procurava sobretudo incutir «paciência e obediência, duas qualidades que pouco ou nenhum proveito prometem». Através do diário do estudante Jakob, conta-se uma «história singularmente delicada», para usar a expressão de Walter Benjamin. Jakob começa por tornar-se um enigma para ele próprio, levando-nos depois através de medos, dramas e também mistérios, a um desfile de personagens e situações que é um dos mais marcantes do século XX, contribuindo para que Susan Sontag considerasse Robert Walser um «escritor verdadeiramente magnífico que nos parte o coração».


Robert Walser nasceu em Biel, na Suíça, em 1878 e viveu em Berna e Zurique, Estugarda e Berlim. Escreveu uma obra desdobrada em quinze livros, «estranho e fascinante espelho da vida», admirada por Musil, Kafka e Walter Benjamin. Morreu quando dava um dos seus passeios solitários no dia de Natal de 1956, perto do manicómio de Herisau, onde passou os últimos anos. Em português , tem igualmente editados, na Relógio D’Água, os livros O Salteador, A Rosa e O Ajudante.

Escrito por Nunovsky em 13:55:38 | Link permanente | Comments (0) |